Mèlodie nasceu em 3 de Agosto de 1998, em um reino próspero, um dos últimos restantes no interior da França. Em um dia chuvoso, escuro, cortado por raios e ventanias nunca vistos.Para desespero e desgosto de seus pais, o Rei e a Rainha, Mèlodie não era a princesa que haviam prometido em casamento para o reino vizinho e a Rainha estava impossibilitada de conceber mais um herdeiro. Isso, além do fato de sua saúde extremamente frágil e de não carregar cheiro algum, foi um estopim para descaso de quase toda a família real.Durante sua criação, o franzino príncipe só teve atenção de suas irmãs mais velhas. Foi delas que adquiriu o talento da costura e a paixão pelo ballet e um tanto da curiosidade por assuntos mórbidos, já que uma delas planejava se juntar a um clã de assassinos, assim abdicando secretamente do trono. Mèlodie era, aparentemente, a única "saída" da linhagem real.No entanto, no auge de seus 16 anos, a saúde do rapaz subitamente piorou após sua apresentação. Ser um ômega recessivo na verdade piorava um pouco a situação. Um ômega. No trono.
Mèlodie adoecera de tanto pensar no assunto e o corpo não era forte o suficiente para se recuperar. Morreria em breve, foi o que todos os médicos disseram. Humanos e não.Muito a contragosto, a Rainha desceu de sua posição e foi visitar uma pequena comunidade de vampiros, ao Norte. Todos lhe entregaram a mesma palavra final: Uma transformação. Não era 100% segura, nem havia garantia de vida. Mas ela pretendia tentar. Salvaria sua cria.Sendo assim, na lua cheia que se sucedeu, o rapaz conheceu seu destino. Uma mordida extremamente dolorida na curva de seu pescoço. Cada gota de seu sangue doente sendo sugada. Uma única gota espessa escorregando até o fim de sua língua. Dor. Fome. Vermelho, vermelho.Havia sido beijado pela morte.É seguro dizer, o príncipe continuou vivo. Apático, pálido. Mas vivo. E depois da fuga silenciosa de sua irmã mais velha, Mèlodie também desistiu do trono. Foi melhor assim. Acabou se casando com quem lhe esperara por 18 anos.Mas. Não deixaria sua vida acabar assim. Jamais.